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Principais Benefícios da Água Filtrada para a sua Saúde

Aágua da rede de distribuição pública é denominada água potável, ou seja, é considerada segura para o consumo humano. Para tal, deverá cumprir os critérios microbiológicos, físicos, químicos e radioativos estabelecidos pelas normativas de saúde pública ditadas pela OMS, União Europeia e pela Direcção-Geral da Saúde.  No entanto, há duas ressalvas muito importantes a fazer: 1) no processo de desinfecção da água com cloro, geram-se subprodutos de desinfeção que são tóxicos – os trihalometanos – a sua toxicidade, mesmo que em concentrações reduzidas, poderá condicionar consequências na saúde humana por acumulação; 2) o número de novos produtos químicos criados a nível mundial tem amentado de modo vertiginoso. Atualmente, estima-se que sejam registadas no CAS (Chemical Abstracts Registration) 15 000 novas substâncias por dia – ora, estas novas substâncias não estão contempladas em nenhuma normativa internacional, pois tal seria impossível. Qualquer que seja o fim a que se possam destinar, parte delas ou dos seus subprodutos, irão terminar no ambiente (águas, ar ou solos), portanto o número e diversidade de xenobióticos (substâncias sintetizadas artificialmente, mas que podem surgir no ambiente, contaminando os sistemas biológicos) tem aumentado de modo exponencial.

Absolutamente tudo o que entra no nosso corpo irá condicionar a nossa saúde, quer no sentido positivo, quer no sentido negativo. A água é o principal nutriente do corpo e de todas as nossas células. O que entrar com a água irá: ou ficar retido nalgum dos filtros do nosso corpo (fígado, rins e pulmões), ou irá depositar-se nalgum órgão em particular, ou interagir diretamente com as nossas células condicionando as suas funções.

De tudo isto se depreende o quão relevante é filtrar a água que bebemos e com a qual cozinhamos, a fim de garantir que o nosso corpo fique a salvo de substâncias indesejáveis veiculadas pela água.

Alguns dos grupos de substâncias que a água da rede pode conter e que são prejudiciais para a nossa saúde, a médio ou longo prazo, são: os trihalometanos (formados pelo contacto do cloro com a matéria orgânica contida na água); os desreguladores endócrinos (existentes nos plásticos e em muitas substâncias derivadas do petróleo); os hidrocarbonetos (infiltrados nos solos a partir das zonas de fogos florestais); os pesticidas e os metais pesados (alumínio, o arsénio, o crómio, o mercúrio, o níquel, entre outros). Dito isto já não resta qualquer dúvida quanto à relevância de beber uma água filtrada.

O Que é Água Filtrada?

Uma água filtrada é uma água que passou por processo de remoção de constituintes nela contidos – sejam microbiológicos, físicos, químicos ou radioactivos – tornando-a mais limpa, purificada e segura para consumo. A filtragem é relevante tanto para a água da rede pública de abastecimento, como para as águas de sistemas de captação privados. Existem diversos sistemas de filtragem com diferentes características consoante o que se pretende remover, nomeadamente: areias e outros sedimentos, microplásticos, microrganismos, derivados do cloro, pesticidas, metais pesados, etc.

Existem diversos sistemas de filtragem. O mais simples é a filtragem mecânica, que recorre a materiais como algodão compactado ou fibras de polipropileno para reter pequenas partículas em suspensão na água. Outro método bastante conhecido é o uso de carvão ativado, que ajuda a eliminar o cloro e a reduzir cheiros e sabores desagradáveis. Quando se pretende reduzir a dureza da água – provocada por minerais como o cálcio (calcário) – utiliza-se a troca iónica. Já a tecnologia conhecida como KDF (Kinetic Degradation Fluxion), menos falada, mas muito eficaz, consegue reter metais pesados e ainda dificulta o crescimento de bactérias dentro do filtro. Existe ainda a osmose reversa, que é a técnica mais eficaz de purificação da água, uma vez que utiliza uma membrana semipermeável para remover as impurezas químicas de menores dimensões, não removidas por outros métodos. Assim, fica patente que existem várias classes de água filtrada.

Benefícios da Água Filtrada para o Organismo

Os benefícios de beber água filtrada são inúmeros. É importante começar por entender que o que entra no nosso corpo apenas é útil se se tratar de nutrientes que o corpo necessita para as suas funções, como o são: a água, as vitaminas, os minerais, as fibras vegetais, as proteínas e gorduras, ambas de qualidade. Tudo o demais que possa entrar, é potencialmente prejudicial, porque consome recursos para a sua eliminação, porque pode interferir com várias funções orgânicas, e, muitas vezes fica retido nalguns órgãos, em especial, rins, fígado e cérebro. Ao ficar retido tem um efeito nocivo cumulativo ao longo do tempo, podendo causar desde desregulações ligeiras até ao aparecimento de doenças. Apesar da cloragem da água da rede matar a maioria dos microrganismos, uma água filtrada é também uma barreira de proteção eficaz contra aqueles agentes.

Os benefícios de beber água filtrada são inúmeros por oposição aos incontáveis potenciais prejuízos para a saúde decorrentes de beber uma água com substâncias tóxicas, mesmo que dentro dos limites estabelecidos pela lei. Assim, a médio ou a longo prazo, potencialmente e de modo variável, poderão surgir algumas das seguintes desregulações de saúde em função de alguns grupos de químicos que poderão estar contidos na água:

Trihalometanos – toxicidade nos rins e no fígado, efeito anti-estrogénico (hormonal) e efeito carcinogénico (com potencial de condicionar cancro) – cancro da bexiga e recto;

Disruptores ou desreguladores endócrinos – atuam como hormonas – poderão desregular processos reprodutivos e de equilíbrio interno tais como: desregulação do ciclo menstrual, problemas de fertilidade, feminização masculina, cancro do aparelho reprodutor, entre outros;

Hidrocarbonetos – toxicidade hepática e renal, alterações neurológicas, disfunções hormonais, efeitos imunológicos e efeito carcinogénico (leucemias).

Metais pesados (chumbo, mercúrio, cádmio, arsénio, outros) – toxicidade hepática e renal, alterações neurológicas, osteoporose, alterações da pele, problemas cárdio-vasculares e efeito carcinogénico.

Pesticidas – efeitos: respiratórios, neurológicos, hormonais (disruptores endócrinos), imunológicos e carcinogénicos.

Beber água filtrada, da qual foram retiradas a maioria das substâncias nocivas para a saúde, para além de constituir uma medida preventiva contra todas as desregulações e doenças que delas poderiam resultar, contribui para um melhor funcionamento dos rins, fígado, aparelho digestivo e dos vários sistemas em geral. Além disso é uma água mais leve e com sabor mais agradável, tanto para beber, como facultando um sabor mais natural aos chás e sopas. Muitas pessoas relatam sentirem-se com mais energia e menos “pesadas”, uma consequência provável da menor exposição a substâncias nocivas. Há ainda benefícios visíveis – a pele tende a apresentar melhorias na textura e hidratação, especialmente em pessoas sensíveis ao cloro, e o cabelo pode também tornar-se mais suave e menos quebradiço.

Conclusão

Beber água filtrada é uma medida responsável e segura, sendo uma das mais importantes medidas preventivas contra muitas desregulações de saúde e doenças potencialmente condicionadas por químicos que as águas não filtradas contêm. É ainda uma forma de escolher mais bem-estar físico e mais vitalidade, uma vez que ajuda o corpo a funcionar de forma mais eficiente.

Todos queremos ser longevos, ou seja, viver mais anos com saúde e energia e isso é possível se adotarmos hábitos saudáveis de vida, a começar pelo que levamos à boca. A utilização de água filtrada representa, assim, um investimento preventivo na saúde a médio e a longo prazo. Para quem procura bem-estar de forma natural, começar por cuidar da qualidade da água que consome é um passo inteligente, lógico e altamente benéfico.

Bibliografia Consultada

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Nota

Quanto ao aumento crescente de produtos químicos de síntese, eventualmente contaminantes das águas, solos e ar, poderá ser interessante o gráfico que se segue (creio que não criaram outro mais atual, eu não encontrei) e a restante informação.

No Registo CAS (Chemical Abstracts Registration), de 1965 a 2015 foram registados 100 milhões de substâncias químicas, sendo 1 500, o número médio de registo de novas substâncias químicas por ano. No planeta, nessa data, estimou-se que eram produzidas cerca de 500 toneladas de químicos por ano. Destes, só menos de 10% foram estudados quanto aos efeitos tóxicos sobre organismos em desenvolvimento.

Em 2025, o registo passou para 279 milhões de substâncias químicas únicas, incluindo compostos orgânicos e inorgânicos, polímeros, ligas, minerais, proteínas, ácidos nucleicos e outras sequências biológicas. Embora o número exato possa variar, estima-se que sejam adicionadas aproximadamente 15 000 novas substâncias por dia, totalizando cerca de 5,5 milhões por ano.

Por Dra. Manuela Cerejeira

A informação contida neste artigo não se destina a recomendar qualquer tratamento de sintomas ou doenças. Consulte o seu médico para aconselhamento especializado.

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